sexta-feira, 5 de março de 2010

Coelho ou Cordeiro?

Certa vez ouvi uma ministra de crianças dizer que a Páscoa estava chegando e, sendo assim, providenciaria coelhinhos para dar aos seu alunos. Diante do exposto, balancei a cabeça perplexa e comecei a pensar se esta não era apenas uma de tantas outras professoras que estavam trazendo conceitos anti-bíblicos para as nossas crianças acerca da Páscoa.
Satanás, ao longo da história, sempre manteve firme seu incansável propósito de tentar impedir através de várias estratégias, que o homem conhecesse a Deus e tivesse comunhão com Ele. É claro, que quanto mais cedo distanciasse o homem de Deus, mais eficaz seria seu plano. Por isso, sempre se esforçou sobremaneira de inspirar "pessoas" na criação de objetos e conceitos para atrair as crianças, incutindo nelas valores errôneos a respeito de Cristo.
No calendário cristão, as datas mais importantes são: Natal e Páscoa, onde a figura de Jesus é, sem dúvida, o centro. Mas quais são, de fato, as figuras que Satanás tem tentado colocar como centrais nesta época? Claro: Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa! Inventar, mentir, continua sendo a sua especialidade! E o pior: além das escolas seculares, nossos filhos são conduzidos a usar máscaras de coelhinho e a receber presentes que evidenciam o Papai Noel deixe Jesus em segundo plano. Me poupe! É duro demais pra mim! Sei que nós, pais, somos os responsáveis direto no pastoreio de nossos filhos, mas a Igreja, precisa continuar sendo o lugar onde Cristo é e será sempre a figura central que merece toda nossa honra, glória e louvor! Como evangelistas, pastores, ministros, precisamos aproveitar essas épocas para lembrar do nascimento, da morte e da ressurreição de Cristo. Lembrar do amor incomparável, eterno, insubstituível e irrevogável dEle por nós! É um momento que precisamos ser maduros espiritualmente o suficiente para ensinarmos verdades eternas que devem ser trabalhadas na vida de nossas crianças. A televisão já as têm enganado por demais! Muitas já adotaram por heróis diversos demônios. Por essa e por outras razões precisamos ter na Palavra de Deus as ferramentas para serem utilizadas neste período de Páscoa, natal ou outro qualquer. Vamos aproveitar que a Páscoa se aproxima, rever nossos valores e atitudes e injetar em nossas crianças algo que venha impactá-las e motivá-las a servir a Cristo de todo coração e entendimento. Lembre-se: Cristo é o nosso Cordeiro Pascoal e não o “coelhinho da páscoa” – “Como um cordeiro mudo foi levado...”
Não estou dizendo que você tem que proibir as crianças de comer chocolate. Não! Isso seria pura maldade! São crianças e cá entre nós, chocolate é uma delícia! Quem resiste? O que estou tentando dizer é que existe toda uma cultura satânica e todo um interesse das empresas que vendem chocolate faturarem muito dinheiro em função da páscoa. Você pode dar o chocolate, mas associá-lo a Cristo. Difícil? Não! Tenho uma sugestão que talvez possa ajudá-lo e, se não se agradar dela, peça ao Espírito Santo que Ele vai lhe dar um maná fresquinho, diretinho do Céu pra você!
Olha a experiência que tive:
Certa vez recebi uma ligação de minha irmã Jane. Ela me perguntou o que iria fazer para dar as crianças na Páscoa. Respondi que ainda não tinha pensado em nada, mas que assim que tivesse, compartilharia com ela. Naquela mesma noite tive um sonho: um homem (eu só via as mãos e ouvia a sua voz – era voz masculina) disse-me: “Você vai comprar uma forma de plástico (dessas pra fazer chocolate) em forma de coração, vai comprar uma caixinha transparente para colocá-lo e em volta vai colocar papéis picados.” À medida que ia falando, mostrava-me como iria ficar. Concluiu: “Dentro desse coração de chocolate você vai escrever “Eu te amei tanto que fui capaz de dar a minha vida por você e ressuscita ao terceiro dia!...(Jo.3.16)
Queridos, quando acordei, senti que estive conversando com o Pai. E foi, exatamente assim que procedi, passo a passo como Ele me havia instruído e através deste coração “comível e delicioso de chocolate” falamos do verdadeiro sentido da Páscoa para as crianças.
Quero sugerir também a realização da peça teatral. Minha querida irmã Sônia, de Teresópolis, ministra cheia de amor pelas crianças, me contou essa história e então, decidi reescrevê-la fazendo algumas adaptações. Também já realizei esta peça em minha Igreja e foi uma bênção! Espero que você também goste!
Em um outro post sugeri uma adaptação minha de uma peça teatral entitulada Páscoa sem coelho. A história foi contada a mim pela minha querida irmã Sônia, de Teresópolis, ministra cheia de amor pela crianças. E decidi reescrevê-la fazendo algumas adaptações. Já realizei esta peça na minha igreja e foi uma bênção. Sugiro a sua realização nesta Páscoa, para que as crianças conheçam o verdadeiro sentido da Páscoa. Espero que gostem.

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quinta-feira, 4 de março de 2010

Páscoa sem coelho

Este é um texto fácil para apresentar às crianças qual é a verdade sobre a Páscoa.

CENÁRIO:
Contrua um ambiente que lembre um jardim.

PERSONANGENS:
[.] Beth, uma menina;
[.] Uma criança ou um adulto para ser o coelho.

O coelho entra em cena cantando a música com um rádio no ombro. Este coelho precisa ser bem descontraído e pode cantar a música em ritmo de rap. 

"De olhos vermelhos
De pelo branquinho
De pulo bem leve
Eu sou o coelhinho
Sou muito assustado
Porém sou guloso por uma cenoura
Já fico manhoso!
Eu pulo pra frente
Eu pulo pra trás
Dou mil cambalhotas
Sou forte de demais
Comi uma cenoura, com casca e tudo
Tão grande ele era...
Fiquei barrigudo!"

- Olá, coelhinho! Por que você está tão contente?

- Porque hoje é o meu dia.

- Parabéns! Não sabia que hoje é o seu aniversário!

- Quem foi que lhe disse que hoje é o meu aniversário?

- Você mesmo acabou de me dizer que hoje é o seu dia.

- Mas eu não disse que é meu aniversário. Nem sei quando foi que eu nasci!

- Então como é que está tão contente, dizendo que hoje é o seu dia?

- Como você é bobinha! Então não sabe, que hoje é o dia da Páscoa?

- Claro que sei que hoje é o dia da Páscoa. Mas não é o seu dia!

- É sim, e todo mundo sabe disso, até as criancinhas, só você é que não sabe.

- Eu tenho muita pena dessas pessoas e de você também.

- Por quê?

- Porque estão sendo enganadas!

- Enganado? Eu? Não admito que ninguém me engane.

- Adminitindo ou não, você e muita gente, está sendo enganada com respeito à Páscoa.

- Agora você vai me explicar essa história, e porque eu estou sendo enganado.

- Bem, eu não sei quem começou com toda essa história de que Páscoa, as pessoas tinham que trocar presentes, ganhar ovos de chocolate, e que o coelho é a figura mais importante da Páscoa.

- Eu também não sei, seja lá como foi, teve muito bom gosto. De todos os animais, eu sou o mais esperto, mais bontio e mais charmoso!

- Não seja tão convencido, coelhinho! Eu concordo que você é muito bonitinho, mas nem por isso as pessoas têm o direito de trocar você pela pessoa que realmente é importante na Páscoa!

- Quem é essa pessoa? Nunca ouvi falar dela!

- É claro que não ouviu! Satanás não quer que as pessoas saibam o verdadeiro significado da Páscoa!

- E quem é este Satanaldo?

- Não é Satanaldo, o nome dele é Satanás, o grande inimigo de DEUS. Ele fica contente quando as pessoas acreditam em mentiras.

- Por quê?

- Proque ele, Satanás, é o pai da mentira.

- Olha aqui, Beth, você está me enrolando e até agora não me contou a história que você diz ser verdadeira. Eu já tô curioso!

- Está bém, vou lhe contar: Há muito tempo atrás, Jesus Cristo, o Filho de Deus, veio ao mundo. Ele nasceu em Belém e o seu berço foi uma manjedoura.

- Manjedoura? O que é isso?

- Manjedoura é uma caixa de madeira, onde se coloca capim para os animais comerem.

- E porque Ele dormiu nesse lugar tão feio!

- Porque nos hóteis não havia lugar para eles dormirem, então eles tiveram que dormir numa estrebaria, que era a casa dos animais.

- Puxa! Você tem certeza que isso é verdade?

(FALAR ALTO) - É claro que tenho! Isto está escrito na Bíblia, e a Bíblia é a Palavra de Deus, e Deus não mente!

- Tá bem, mas não precisa gritar, eu só tava perguntando. Continue.

- Bem, este nenê, Jesus Cristo, cresceu, tornou-se homem adulto e um dia Ele morreu na cruz...

(INTEROMPER) - Morreu na cruz? O que foi que Ele fez?

- Ele não fez nada de mal, Ele veio ao mundo para salvar as pessoas do inferno. Porque o salário do pecado é a morte. E todos pecaram e separados estão da Glória de Deus.

- Então, por que ele teve que morrer?

- Para que se cumprisse o plano de Deus. Porque se o salário do pecado é a morte, nós teríamos de morrer, isto é, irmos para o inferno, pois todos nós somos pecadores. Mas, Jesus Cristo, o Filho de Deus, que não tinha pecado, tomou o nosso lugar e morreu na cruz para pagar os nossos pecados, para que pudéssemos ir para o céu.

- Puxa! Eu nunca ouvi falar de Jesus.

- Você não é o único! Satanás não quer que as pessoas conheçam a verdade sobre Jesus Cristo.

- Por quê?

- Porque se elas souberem que Jesus morreu em seu lugar, para que elas fossem salvas do inferno e elas aceitarem a Jesus como Salvador, quando morrem elas vão morar com Jesus no céu.

- Mas você não disse que Jesus morreu? Como é que Ele está no céu?

- Oh! Desculpe-me, eu esqueci de dizer que Jesus morreu, mas ao terceiro dia Ele ressucitou, quer dizer, vive novamente e foi para o céu preparar um lugar para as pessoas que o aceitarem como Salvador. Sabe, coelhinho, quando eu morrer vou morar com Jesus no céu.

- Eu também posso ir?

- Claro que não! Os animais não tem alma, eles não vão, nem para o céu e nem para o inferno.

- Mas, o que é que tudo isso tem a ver comigo e a Páscoa?

- Contei toda essa história, para que você saiba que na Páscoa comemoramos a morte e ressurreição de Jesus Cristo. E faremos isto até que Ele venha nos buscar.

- Ele vai voltar?

- Sim, Ele voltará para buscar os seus, aqueles que o aceitarem como Salvador. Agora você já sabe quem é a pessoa mais importante na Páscoa, não é?

- Sim, agora eu sei e estou envergonhado de ter tomado o lugar Dele na Páscoa. Ele deve estar zangado comigo.

- Com você, não! Ele fica triste é com as pessoas que se esquecem Dele e só dão importância a presentes, ovos de chocolate e a coelhinhos, esquecendo-se do verdadeiro significado da Páscoa.

- Sabe, Beth, eu tive uma ideia! Vou sair por aí e vou contar pra todo mundo a verdadeira história da Páscoa. Vou contar que presentes, ovos e coelhos, nada têm a ver com a Páscoa. Que isso é mentira de Satanás, para enganar as pessoas e até as criancinhas.

- A sua ideia é ótima, mas, ninguém vai acreditar em você, porque coelhos não falam e você é apenas um coelho de fantoche (ou pessoa fantasiada)!

- É mesmo! Eu não havia pensado nisto, mas eu tenho outra idéia! Todas essas crianças que estão ouvido a nossa conversa, podem contar para os seus pais, para seus irmãos, para seus  professores e para os amiguinhos a verdadeira história da Páscoa.

- Agora você acertou! É isto mesmo que Jesus quer que façamos. Pois Ele diz em sua Palavra "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura". Agora eu tenho que ir embora, já está tarde. Tchau, coelhinho...

- Tchau, Beth! Obrigado por me contar a verdadeira história da Páscoa.

 
Autoria desconhecida. Adaptado por Kátia Magalhães.

quarta-feira, 3 de março de 2010

O verdadeiro sentido da Páscoa

Por: Jorge Schemes

É tempo de páscoa, é tempo de reflexão. Nada melhor do que uma história para ilustrar o verdadeiro espírito e significado desta data. Certa vez, numa pequena cidade do interior havia uma pequena, mas muito bem cuidada, escola pública de Ensino Fundamental. Nela, estudavam crianças e adolescentes de várias classes sociais. Havia nesta escola uma turma muito especial, era a 4ª série "c" da professora Kelen. Era uma turma especial porque nela estudava o pequeno e franzino Jeremias, uma criança muito inteligente, porém muito doente e com muitas limitações físicas. Kelen era uma professora comprometida e muita bem preparada. Amava o que fazia e amava mais ainda os seus alunos, os quais conhecia muito bem e chamava pelo nome. O carinho da turma pela professora era evidente. Todos os dias as crianças competiam entre si nas demonstrações de afeto à jovem professora. As aulas eram dinâmicas e muito bem planejadas, de tal maneira que os alunos sentiam prazer em participar do processo de ensino e aprendizagem. Era a semana que antecedia a semana da páscoa. Mais precisamente uma sexta-feira. No outro final de semana seria a data tão esperada. Todos na escola só falavam do que queriam ganhar, e é claro que os ovos de chocolate estavam no topo da lista dos presentes favoritos da criançada. E os alunos da professora Kelen não eram exceção. Estavam eufóricos com o clima festivo da data, afinal, ganhar presentes e chocolates nunca é demais quando se é criança. Diante do entusiasmo e motivação da turma, Kelen propôs um desafio aos seus alunos. Solicitou que todos participassem de coração. A professora pediu para que cada aluno e aluna da 4ª série "c" fizesse o seu melhor na confecção de um ovo de madeira. Todavia, este ovo de madeira deveria ser partido ao meio e oco por dentro. A turminha vibrou com a idéia, mas não demorou muito para que começassem a fazer perguntas. _ Professora, argumentou Priscila, não será fácil fazer este ovo sozinha, posso pedir a ajuda do meu avô? Kelen respondeu prontamente que sim, que todos poderiam pedir ajuda e aproveitou para explicar para toda a classe que o tamanho do ovo não importava, desde que ele fosse oco por dentro. Gustavo, que adorava pintar seus desenhos, logo perguntou: _ Podemos pintar e colorir o ovo de madeira professora? _ Claro que sim, respondeu Kelen, será ótimo que vocês usem toda criatividade possível. Enquanto a turma estava agitada e conversando uns com os outros sobre a confecção do ovo de madeira, Jeremias estava calado "no seu cantinho" e parecia um pouco preocupado. Foi então que um de seus colegas de sala percebeu isso e falou em voz alta: _ Mas professora, e o Jeremias? Como ele vai poder fazer este trabalho? A preocupação de Alberto tinha fundamento. É que Jeremias não tinha uma boa coordenação motora devido a problemas neurológicos, os quais o impediam de andar e movimentar braços e mãos normalmente, de modo que sua locomoção era lenta e os movimentos mais simples eram difíceis de realizar. A turma ainda não estava acostumada com Jeremias, pois ele estava com eles fazia apenas uns dois meses, desde que começaram as aulas naquele ano. Depois da fala de Alberto o burburinho foi cedendo lugar ao silêncio e os olhos de todos se voltaram para os fundos da sala de aula, atingindo diretamente o olhar assustado de Jeremias. A professora percebeu sua timidez e constrangimento e procurou ser muito sensível ao perguntar para Jeremias se ele gostaria de participar da atividade proposta. Jeremias tinha dificuldades até mesmo para se expressar verbalmente, embora sua inteligência fosse aguçada e sua capacidade cognitiva fosse uma das melhores da classe. Mesmo diante da situação e de suas limitações, Jeremias afirmou que gostaria de fazer o seu ovo de madeira, e disse mais, disse que a páscoa era sua data preferida. Kelen o elogiou e disse que acreditava no seu potencial e capacidade. A turma começou a conversar baixinho e dentre as conversas que foram surgindo logo apareceram aquelas preconceituosas. _ Será que Jeremias entendeu o que a professora pediu? _ Será que ele conseguirá fazer o seu ovo de madeira? _ Aposto que ele vai desistir na primeira tentativa! Argumentaram alguns alunos. Eles chegaram até a fazer apostas para ver se Jeremias iria fazer ou não o ovo de madeira. A aula estava quase acabando quando a professora interrompeu a conversa entusiasmada dos alunos e deu mais algumas orientações sobre a confecção do ovo de madeira. _ Meus queridos, ela disse; prestem atenção e anotem as seguintes orientações para o trabalho: vocês farão o ovo de madeira em duas metades e oco, mas deverão colocar algo dentro que simbolize a vida, porque a páscoa é a comemoração da vida. Coloquem o que quiserem. Vocês deverão trazer o ovo com algo dentro que seja um símbolo da vida até 5ª feira, para juntos, fazermos uma reflexão sobre o verdadeiro sentido da páscoa. _ Todos entenderam? Vocês têm alguma dúvida? Perguntou a professora. A classe toda demonstrou ter entendido a tarefa e logo começaram a falar sobre como seria feito o ovo de madeira. O sinal para o término de mais uma manhã de aula ecoou pelos corredores da escola. Os alunos foram para casa cheios de vontade para realizar a tarefa o quanto antes. Muitos disseram que já na segunda-feira estariam com o seu ovo de madeira pronto. Jeremias, como de costume, era o último a sair da sala devido a seus problemas de saúde, e como sempre se despedia da professora Kelen com um beijo, agradecendo-a por mais uma manhã de aprendizado. Na verdade, ele era um menino muito educado, e possuía uma personalidade agradável. Aquele final de semana passou voando. Na segunda-feira de manhã Kelen e seus alunos estavam de volta à escola. O comentário não poderia ser outro a não ser a confecção do ovo de madeira. Poucos notaram, mas Jeremias não foi para a aula naquela manhã. Os dias se passaram rapidamente, 3ª feira, 4ª feira e finalmente chegou o dia da apresentação do trabalho. Naquela 5ª feira pela manhã, todos os alunos, sem exceção, inclusive Jeremias que havia faltado três dias consecutivos, estavam presentes. Alguns tinham confeccionado seu ovo de madeira com muito capricho. Pedro era um deles e levou orgulhoso um ovo feito na marcenaria do seu tio. Era um ovo perfeito. Lindo. Todo colorido e brilhante. Os alunos foram entrando na sala e procurando seus lugares, um a um foram tirando seu ovo de madeira de dentro das mochilas escolares e colocando em cima da carteira. Jeremias foi o último aluno a sentar, mas não colocou nenhum ovo sobre a sua carteira. A expectativa era grande, todos queriam mostrar o que tinham colocado dentro do seu ovo de madeira. A professora os recebeu com alegria, e após as boas vindas os convidou a mostrar para a classe o que tinham feito. Tinha ovo de todo tamanho e cor. Os alunos tinham caprichado. A grande maioria havia solicitado ajuda de seus pais e parentes. Kelen perguntou: _ Quem gostaria de iniciar a apresentação? Pedro, que tinha o maior ovo de madeira da sala levantou-se e foi na frente da turma orgulhosamente. Antes de abri-lo, a professora perguntou se ele tinha colocado algo dentro que simbolizasse a vida, Pedro respondeu que sim, e ao abrir o ovo lá estava um grão de feijão brotando em cima de um pedaço de algodão embebido com água. O garoto disse entusiasmado: _ este é o meu símbolo da vida! Houve um murmurinho quase que geral, porque muitos outros tinham feito a mesma coisa, pois tinham aprendido esta experiência no final da 3ª série. Porém, Julia, uma menina alegre e inteligente, pediu para mostrar o seu ovo. Ao abri-lo, todos notaram que um líquido escorreu, era água. Julia afirmou emocionada: _ A água é símbolo da vida, pois sem ela não podemos existir! Nada sobrevive sem água! Assim, um a um os alunos foram apresentando seus trabalhos, sempre com a aprovação e os elogios da jovem professora Kelen. Quando parecia que todos já tinham mostrado e falado sobre seu ovo de madeira e o que tinham colocado dentro, a turma e a professora ouviram uma voz gritando: _ Professora, falta o Jeremias! Todos se voltaram para os fundos da sala onde Jeremias estava sentado. Neste momento, alguns alunos preconceituosos começaram a rir e dizer que Jeremias não tinha feito o trabalho. _ Ele não entendeu o que era para fazer professora! Disse Paulo. _ Eu sabia que ele não iria conseguir! Disse Ana. Kelen interrompeu imediatamente estes comentários e exigiu respeito ao colega. A classe ficou em silêncio. E antes que a professora pudesse perguntar se Jeremias tinha feito ou não o trabalho, todos ouviram uma voz rouca e tímida vinda do fundo da sala que dizia: _ Professora...Eu...Também...
Fiz...Posso...? Era Jeremias. Ele tinha deixado seu ovo de madeira dentro da sua mochila, pois teve vergonha de mostrá-lo. Todos se surpreenderam quando Jeremias começou a tirar "algo" de dentro de sua mochila. Lentamente ele foi tirando e colocando sobre a sua carteira. E para surpresa de todos, lá estava "algo parecido" com um ovo de madeira. Parecido, porque tinha um formato diferente, era disforme e cheio de falhas. A classe começou a cochichar e a rir baixinho. A professora demonstrou que não estava gostando, e mais uma vez exigiu respeito ao colega. O ovo de madeira de Jeremias tinha sido feito por ele mesmo, com muita dificuldade e dedicação e sem a ajuda de ninguém. Não estava pintado e era o mais feio da classe. Perto dos outros trabalhos parecia um "lixo". Mas a beleza não estava no exterior. Jeremias pediu para ir até na frente da classe. A professora e mais dois coleguinhas o ajudaram a se locomover enquanto ele segurava o seu ovo de madeira preso ao peito. Após chegar lá, Jeremias começou a falar com muita dificuldade. Kelen solicitou aos alunos que prestassem atenção. Jeremias disse emocionado: _ Isto aqui (mostrando seu ovo de madeira), não representa um ovo. Em seguida, ao separar as duas metades, todos na sala puderam perceber que "aquilo" estava oco por dentro, mas que não tinha nada dentro que simbolizasse a vida. Os alunos começaram a cochichar, mas bastou um olhar de repreensão da professora para que se calassem. Jeremias continuou com dificuldades: _ Isto...Representa a sepultura...De Jesus Cristo, e está vazio...Porque Ele ressuscitou dos mortos...Esse é o símbolo da páscoa...Jesus está vivo...A sepultura está vazia! Naquele momento, o verdadeiro espírito da páscoa começou a percorrer os corações. A professora, emocionada, deixou cair gotas de lágrimas. Jeremias tinha deixado uma mensagem que marcaria para sempre a vida de cada um naquela sala de aula. O sinal tocou em seguida e a professora se despediu de cada um desejando uma feliz páscoa. Aquele final de semana passou rápido como todo bom feriado. Na segunda-feira os alunos retornaram para a escola ansiosos para contar as novidades da páscoa. Uns queriam falar das celebrações em sua igreja, outros queriam mostrar o tamanho e a quantidade de ovos e doces que ganharam. Mas todos queriam compartilhar suas experiências. A sala da professora Kelen estava alvoroçada. Muitos tinham trazido balas e chocolates para a professora. Todos estavam presentes, menos Jeremias. Antes de iniciar a aula naquela manhã, kelen disse que tinha uma notícia triste para dar aos seus alunos. _ Queridos, disse ela com a voz embargada. Hoje pela manhã eu recebi um telefonema da família do Jeremias. Sua mãe estava muito triste e me disse que o Jeremias estava muito doente. Ela me disse que ele já estava lutando contra seus problemas de saúde fazia muitos anos, mas que ultimamente estava ficando cada vez pior. Ela me disse que ele amava vir para a escola, e que este era o melhor momento do seu dia. Queridos, infelizmente o Jeremias não veio hoje...(Kelen não conseguiu segurar as lágrimas), ele não veio hoje porque...Ontem à tarde ele foi internado as pressas no hospital municipal, mas não resistiu aos seus graves problemas de saúde e faleceu. O Jeremias está morto! A turma foi pega de surpresa e todos, sem exceção, se entristeceram e alguns até começaram a chorar. A professora teve dificuldades em acalmar a classe. Em seguida disse aos alunos que as aulas estavam suspensas, pois ela e os professores iriam ao funeral. Em seguida, Kelen convidou seus alunos e perguntou quantos também gostariam de ir. Todos levantaram as mãos. Vendo a disposição dos alunos, a professora fez um pedido inusitado. _ Será que vocês podem ir até suas casas buscar os ovos de madeira que fizeram para a páscoa? Como todos moravam perto da escola isso não parecia algo difícil ou impossível de fazer. A turma deixou o material na sala de aula e saiu correndo para buscar os ovos de madeira. Logo todos estavam de volta, cada um com seu ovo de madeira. Kelen pediu que todos tirassem o que havia dentro do ovo de madeira, que deixassem o ovo vazio, assim como Jeremias havia ensinado. Em seguida, todos pegaram o seu ovo de madeira vazio e foram andando até a casa de Jeremias, pois não ficava muito distante da escola. Ao chegarem lá, puderam observar um caixão branco onde o pequeno e frágil corpo de Jeremias estava sendo velado. Então, mais uma vez a professora fez um pedido aos seus alunos: _Por gentileza queridos alunos, disse ela, peguem os ovos de madeira que cada um de vocês fizeram e coloquem todos embaixo do esquife (caixão). Um a um, os alunos foram até onde estava o caixão de Jeremias e colocaram seu ovo de madeira aberto, sem nada dentro, vazio, assim como Jeremias havia ensinado. Cada um daqueles ovos simbolizava a esperança da ressurreição, simbolizava a vida e não a morte. Finalmente, todos puderam sentir a força espiritual do que Jeremias havia ensinado. Finalmente, todos puderam entender qual era o verdadeiro sentido da páscoa.

Obs: Dedico esta história a Kelen, Miriam e Jorge Gabriel
Fonte: SCHEMES, J. Reflexões sobre a Páscoa. In.: http://jorgeschemes.blogspot.com/2007_04_01_archive.html. Acesso em 2 de março de 2009.